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Documentação · 2026

Sad Bunny e o Príncipe [moreno] da Dinamarca

Performance com dois corpos em equilíbrio
Os Ciclos da Chama

Cena de um espetáculo em desenvolvimento apresentada no Festival Vórtice, em São Paulo, em 2026. Sad Bunny e O Príncipe [Moreno] da Dinamarca atravessam risco, sustentação, desejo, vulnerabilidade e poder.

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Os Ciclos da Chama é uma cena de um espetáculo em desenvolvimento, apresentada no Festival Vórtice, em São Paulo, em 2026. A performance é realizada por Sad Bunny e O Príncipe [Moreno] da Dinamarca, personas/alter-egos dos artistas Higor Alcântara e Diogo Santos. A performance é composta por três atos, ou, como denominamos, ciclos, a dizer: O Ciclo do Fogo, com elementos de pirofagia, portagem circense e dança, culminando em um ato real de spanking; O Ciclo do Ar, no qual os artistas realizam uma dança hiperestética com elementos de artes marciais, culminando em uma suspensão por cordas com elementos do shibari; e O Ciclo da Terra, ciclo de encerramento que reúne elementos da cena Kink, uma performance de “mumificação” e dança com portagem circense. Os ciclos têm seu nascimento a partir de um encantamento, ou, melhor dizendo, de um assombro provocado pelo contato dos artistas com o relato do sonho “Pai, não vês que estou queimando?”. Curiosamente, o sonho não teria sido contado por seu sonhador a Freud, mas por uma paciente que ouviu seu relato em uma conferência e, posteriormente, voltou a sonhá-lo em seu próprio sono. No relato, um pai adormece no quarto ao lado daquele em que o corpo de seu filho morto é velado. Durante o sono, o menino aparece, segura-o pelo braço e pergunta: “Pai, não vês que estou queimando?”. Ao despertar, o pai percebe que uma vela havia tombado sobre o corpo do filho. Freud compreende o sonho como realização do desejo de reencontrar o menino vivo. Lacan, ao retornar a essa imagem e confrontá-la à tragédia de Hamlet, desloca a leitura ao perguntar: “De que ele queima?”. Partindo dessa pergunta, Os Ciclos da Chama confronta o fracasso da figura paterna e a idealidade da masculinidade ocidental. Por meio da dança, do risco, da sustentação, da queda e de práticas que evocam o homoerotismo como linguagem estética e política, os corpos experimentam outras formas de cuidado, confronto, desejo, vulnerabilidade e poder. Diante da culpa e da vergonha atribuídas aos corpos que se afastam dos repertórios normativos da masculinidade, a performance lança uma nova pergunta: de que matéria é feita esta chama? Fotografias de Felipe Ghirello. Festival Vórtice, São Paulo, 2026.

Performance e documentação fotográfica.

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